Conclusão – Enquete sobre Dama e Cavalheiro

Assunto do artigo: Dança de Salão. Escrito por Sheila Huertas no dia 30/03/10.

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Antes de mais nada, gostaria de agradecer a todos que contribuíram com um comentário para a enquete. Foi de grande importância saber a opinião de todos os cavalheiros e damas, uma vez que poucas oportunidades surgem para este tipo de diálogo.

Convém dizer também que para mim foi de suma importância, sou professora e preciso saber o que se passa, tentar entender para retransmitir este conhecimento em aula.

Coloquei em ordem decrescente as questões abordadas na enquete.

Relação

RelaçãoAssumindo a 1ª posição do ranking, a Relação foi o destaque da enquete.

Concorda que c-a-d-a momento de nossas vidas é único??? Por que não pensar a dança a dois sob esta perspectiva? Por mais que eu dance sempre com as mesmas pessoas ou sempre as mesmas músicas ou ainda, sempre no mesmo espaço, NUNCA uma dança será igual a outra. Devemos dar valor a isso e aproveitar cada dança, cada momento como situações que nunca voltarão a acontecer da mesma maneira.

Nas aulas de dança de salão aprendemos a manter o corpo virado para o parceiro ou sempre buscar uma relação, mas concorda que a questão da Relação é muito mais abrangente que isso?

Falando nisso, vale destacar o comentário do Vicente Sarmento:

Boa noite a todos!
Vi que a maioria dos comentários falam de UMA dama e de UM cavalheiro. Eu achei meio… estranho isso. São inúmeros os sentimentos que podem percorrer nossas cabeças em milhares de músicas de diversos ritmos em vários ambientes com um número aleatório de pessoas dançando ao seu redor etc UFA! Uma combinação desses elementos todos faz com que a cada momento exista uma dama ideal. Ora quero fazer mais passos, ora quero uma dama mais leve, ora quero testar minha condução, ora quero rir o tempo todo, ora quero simplesmente passar o tempo junto a uma pessoa agradável… Não necessariamente “preciso” de uma dama com TODAS as características mais perfeitas do mundo… a cada música dançada, para mim, a dama ideal é aquela que puder/quiser/conseguir compartilhar do mesmo sentimento, vontade, diversão que eu estiver sentindo, para que seja mais fácil se tornar UM com ela.

Muito bom associar a palavra Relação com Sintonia, não é verdade? Gostei disso…

Prefiro nem comentar sobre pessoas que dançam se olhando no espelho ou fazendo do salão um palco de apresentações. Detesto!

Música Música

A 2ª posição do ranking ficou com a Música.

Confesso que foi difícil desenvolver este tema. Tive facilidade com ritmo desde que comecei a dançar e desenvolvi musicalidade, principalmente, através das aulas e práticas de tango. Durante minha formação, pouco foi falado sobre música e é sobre isso que gostaria de chamar a atenção, o que é falado sobre música e o quanto disso é trabalhado nas aulas de dança de salão???

Vale destacar aqui o comentário do Wagner Luz:

Gostei dos comentários !! Agora vou colocar uma “pulga atrás da orelha”: Interessante o que as mulheres escreveram e o que os homens também, parecem que querem a mesma coisa: harmonia, entrega, emoção, envolvimento com o momento da música/dança, agora a pulga: e porque isto não acontece? O que temos aprendido? Explorado?

O comentário do Wagner, sem dúvida nenhuma, vale para todas as questões que serão abordadas nesta conclusão, porém achei interessante destacá-la agora. ADORO dançar com cavalheiros que tenham ritmo, musicalidade e entrega, mas concorda que são poucos que conseguem desenvolver estes três aspectos durante a dança? E os outros cavalheiros? O que os professores e as escolas de dança tem feito para que as pessoas desenvolvam uma escuta sensível, senso rítmico e entrega?

Ainda sobre música, recomendo a leitura deste texto: A Importância da Musicalização na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. Não deixem de ler. Vale muito a pena!

Condução

AbraçoJá a 3ª posição do ranking foi sobre Condução por parte dos cavalheiros e Atenção por parte das damas.

Convém destacar que os homens abordaram mais sobre este assunto do que as damas. Para eles uma boa dama é aquela que oferece uma certa firmeza através do abraço e está atenta ao cavalheiro. Para elas um bom cavalheiro é aquele que conduz de forma clara e firme.

Acho que as damas devem pensar no abraço (se fazer presente através dele) e não somente no braço. Oferecer firmeza, somente quando necessário (tipo o modo standby de equipamentos de áudio, vídeo rs… ) e não fazer força contra o cavalheiro, como se estivesse brigando com ele. Achei legal um trecho do comentário do Orlando Nunes que diz: um dá continuidade ao outro.

Devemos pensar na condução como uma informação, ou seja, o cavalheiro faz uma proposta e a dama aceita, segue. É triste quando a dama entende condução como se o cavalheiro tivesse que arrastá-la para fazer os movimentos.

Outra coisa que acho muito importante para as damas é a questão da atenção. Eu costumo dizer que antes de qualquer condução há uma intenção e esta intenção o cavalheiro diz com o corpo, por isso que as damas devem estar atentas ao cavalheiro.

Gosto do cavalheiro que conduz “na medida”, ou seja, uma condução nem muito forte e nem muito fraca e que utilize o corpo para conduzir (aquele lance da intenção) e não somente os braços. Uma coisa que pode facilitar o aprendizado do cavalheiro quando se trata de condução é entender o caminho da dama, saber o que ela tem que fazer.

Fugindo um pouco do assunto, gostaria de falar sobre uma coisa que tenho ouvido bastante nas minhas aulas de “pegadas” (passos aéreos) com Wellington Lopes (mais conhecido como Jack): ajustar, adaptar… sobre isso um comentário muito bem feito pela Claudia:

Para mim um bom cavalheiro é aquele que entende que a dama não é uma máquina de fazer passos. E que também sabe que ele próprio não é uma máquina de condução perfeita.
Ele percebe até onde a dama pode ir e procura seguir de acordo.

Um bom cavalheiro é aquele que começa a dançar de “mansinho”, tentando se ajustar, se adaptar a dama, percebendo até onde ele pode ir. Cavalheiros, não atropelem a dama!!! É essa a sensação que a gente tem, e eu, particularmente, às vezes fico sem ar!

Brincar e se divertir

A 4ª e última posição do ranking trata de questões como simpatia e divertimento. Quase todas as pessoas falaram sobre isso:

… se quiser sorrir, conversar, brincar e se divertir enquanto dança melhor ainda! (Cayo Medeiros)

Pra mim a dança é um meio no qual nos divertimos nos livramos do stress… (Alexandre de Souza)

Nada mais incômodo para um cavalheiro do que uma dama que não descontrai, não brinca, não corresponde às emoções do cavalheiro, não curte a música. Eu tenho visto damas que se põem a dançar como se fossem um martírio físico ou um ato burocrático. (Jorge)

O bom cavalheiro é simpático, envolvente, dança com um jeito gostosinho, sempre ligado na dama, transmite prazer e alegria contagiantes. (Rita Bandeira)

É uma pessoa que sabe que a dança não se resume só ao técnico, mas ao prazer, a diversão que a dança pode ser. (Elis Regina)

…estar feliz por dançar, mesmo quando pouco sabemos. (Karla Mero)

Enfim, quanto mais alegre, divertido e prazeroso for dançar, mais feliz, saudável e de bem com a vida estarei!!!

Só mais uma coisinha

Para fechar esta conclusão destacarei o comentário da Lenice, que foi a única pessoa que falou, dentre outras coisas, sobre higiene pessoal, cavalheirismo e sobre a discriminação com damas da melhor idade:

Os cavalheiros não devem discriminar as damas não jovens, pois nem sempre elas sabem administrar isso. Os cavalheiros que transpiram em excesso devem ter sempre camisas de reserva. Devem fazer o papel real de um cavalheiro, levar a dama de volta ao seu lugar. Os cavalheiros devem estar sempre cheirosos e dançar dando atenção a sua dama e, não ficar querendo aparecer mais que ela. Não sair fazendo passos de malabarismo sem conhecer a dama.

Vídeo Dança

Assunto do artigo: Recomendo, Vídeos. Escrito por Sheila Huertas no dia 03/03/10.

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Corpo, movimento e imagem.

Recomendo a leitura de O Corpo na Videodança de Ana Paula Nunes.

A relação entre o cinema/vídeo e a dança, é uma relação cheia de conflitos, mas que quando superados, podem gerar uma expressão artística equilibrada, apresentando um corpo integral em uma imagem-dança que nem a dança e nem o filme podem fazer sozinhos.

Ana Paula Nunes

A seguir vídeo dança Em Casa.
Coreografia: Maria Alice Poppe
Música: Tato Taborda
Vídeo dança: Marcelo Pontes

Transforme sua experiência em arte

Assunto do artigo: Arte. Escrito por Sheila Huertas no dia 02/03/10.

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Sophie Calle

Almeida afirma:

O que me espanta é que em nossa sociedade a arte só tenha relação com os objetos e não com os indivíduos ou com a vida; e também que a arte seja um domínio especializado, o domínio dos especialistas que são os artistas. Mas a vida de todo indivíduo não poderia ser uma obra de arte? Por que um quadro ou uma casa são objetos artísticos, mas não a nossa vida?

Este trecho me fez lembrar de Sophie Calle, artista e escritora francesa que faz arte a partir de suas experiências de vida.

O que diferencia muitos de meus trabalhos é o fato de que eles são, também, minha vida. Eles aconteceram. Isso me distingue e faz com que as pessoas gostem ou desgostem intensamente do que faço. É por isso, também, que tenho um público além do mundo da arte.

Sophie Calle

Vale muito a pena dar uma olhada na entrevista feita pela Folha de São Paulo a Sophie Calle – “Minha vida é só o ponto de partida“, disponível no blog Campo de Visão de Flavio Dutra.

Espero que a entrevista e este post sirvam de inspiração. Meu primeiro contato com a vida e obra de Sophie Calle se deu na faculdade, com a entrevista que disponho neste post. Levar a vida sob esta perspectiva, abrir um campo de visão, perceber, transformar sua experiência em arte, já pensou nisso?

Esteja atento, estranhe e expresse!