Um pouco de história (2)
Assunto do artigo: Pesquisa. Escrito por Sheila Huertas no dia 10/03/11.
Tags do artigo: História da Dança, Laban, Roderyk Lange

Dando continuidade a esta série de posts que comecei a fazer a partir da disciplina Dança, Temporalidade e História, abordarei mais um texto de Roderyk Lange – A dança se transforma em arte – capítulo V do livro A Natureza da Dança.
Roderyk inicia o texto dizendo que a dança, comum no mundo animal como um meio de expressão e comunicação, assume a função de expressar ideias abstratas com a ascensão dos seres humanos. O movimento comporta significados sofisticados de forma mais rápida e compacta do que a fala e, por isso, está mais próximo da existência biológica do homem do que a linguagem com seus códigos.
Na dança, o duplo papel exercido pelo dançarino, como criador e instrumento que expressa, é único na arte.
A dança está ligada a vida espiritual do homem (considere a palavra espiritual como algo abstrato/imaterial) e talvez seja este o critério básico pelo qual podemos distinguir as danças executadas pelos animais e a arte humana de dançar.
A dança alcançou muito cedo na história humana o status de arte e talvez o de primeira arte para o homem, porém, ao longo do tempo, vem sendo substituída por outras áreas de expressão, áreas que têm eliminado gradualmente a participação direta do homem no ato de criação artística.
A despeito de se transformar em arte, a dança é ainda composta por movimentos humanos comumente utilizados. No entanto, ela se distancia desses movimentos comuns cotidianos que têm objetivos práticos e utilitários, até chegar em um nível poético de ações corporais no espaço. Aqui os elementos racionais e espirituais têm lugar. O propósito da dança é revelar um conteúdo que é originado na criatividade da mente. Esse conteúdo é compreensível como uma entidade expressiva em si mesma, e isso não poderia ser exposto ou explicado por outro meio sem ser a dança.
Roderyk cita Laban e sua teoria do movimento: considerando os elementos básicos do movimento (espaço, tempo, fluxo e peso), o fluxo é o elemento mais enfatizado na dança.
A ação do movimento na dança tem função prática, só através da sua continuidade que o fenômeno da dança é percebido. Se não se respeita essa continuidade sem enfatizar o elemento fluxo do movimento, não há a ação da dança. (…) Mesmo quando ele permanece numa pose, o dançarino é capaz de manter a atitude de continuidade da dança.
A dança está ligada com o prazer da auto-expressão. É aqui que as necessidades estéticas do homem aparecem e estão profundamente enraizadas no meio biológico.
A interpretação de Laban é que o prazer estético na dança é derivado principalmente do sentido de equilíbrio “esforço capacidade” adquirido através do envolvimento da atividade na dança. Após as frustrações e atribulações do dia a dia o homem sente a necessidade de encontrar um mundo diferente que lhe permita recuperar o seu equilíbrio (…) É apenas este estado de equilíbrio da capacidade de esforço que possibilita o homem de enfrentar a vida de novo, de efetuar novas tarefas e de fazer as ações necessárias de maneira apropriada e efetiva.
Fonte da imagem: O Bla Bla Bla de Karol

O motivo desta série de posts que pretendo fazer sobre a história da dança surgiu a partir da disciplina Dança, Temporalidade e História que tive neste último semestre na faculdade. Aproveito o espaço para compartilhar o que aprendi e fazer uma revisão.
Desde então resolvi entender a proposta desta dança. O primeiro texto que encontrei foi o de Christine Greiner, O butô em evolução, disponível no livro Lições de Dança 1,
Durante 4 anos recolhido, após o seppuku (ritual suicida) de Mishima, Hijikata “começou a buscar uma movimentação do começo da vida, do ser primordial.” Em seu último trabalho “havia um esforço consciente para recuperar uma visão infantil, no sentido de como as crianças brincam com o corpo, examinando-o para conhecê-lo. Além disso, a proposta era pensar no conceito de ‘corpo morto’, a chave para o entendimento do butô.”
