[...] ela parece ser menos um estilo e mais um apanhado de princípios que incluem: a individualização de um corpo e gesto sem modelo que exprimam uma identidade ou projeto insubstituível; a produção e não-reprodução de um gesto a partir da própria esfera sensível de cada dançarino ou de uma adesão profunda ao ponto de partida de alguém; a pesquisa e o trabalho sobre a matéria do corpo; a afirmação da gravidade como mola propulsora de movimento e a não-antecipação da forma.
A dança contemporânea promove seus encontros a partir não tanto de aproximações de estilos mas sim de valores, inclusive morais, como ” a autenticidade pessoal, o respeito ao corpo do outro, o princípio de não-arrogância, a exigência de uma solução adequada e não somente espetacular e transparência e respeito aos processos e caminhos comprometidos” (Louppe, 2000:37). Essa dança traz para si uma idéia de assinatura corporal, uma construção particular de corpo.
Trecho retirado do livro Dança e Educação em Movimento, texto de Flavia Meireles e Alice Eizirik – O corpo do dançarino contemporâneo atravessado pelas terapias corporais.
Este texto fala sobre a formação de dançarinos com um corpo específico, com uma percepção diferenciada de si e do mundo, que surge a partir da relação da dança contemporânea com as terapias corporais.
Vale lembrar que pretendo fazer uma resenha deste livro aqui no blog e, ao final desta resenha, sortear um exemplar. Aguardem!
Ainda sobre dança contemporânea vale destacar também o texto de Airton Tomazzoni (disponível no Idança) – Esta tal de dança contemporânea.
Tomazzoni inicia o texto com uma situação muito comum para as pessoas que fazem dança contemporânea, explicar o que é essa dança, uma dança que não consolidou uma referência para a maioria do público (e mesmo para a comunidade de dança). Ele enumera alguns fatos fundamentais para quem deseja apreciar esta dança:
Fato 1 – A dança contemporânea não é uma escola, tipo de aula ou dança específica, mas sim um jeito de pensar a dança.
Fato 2 – Não há modelo/padrão de corpo ou movimento.
Fato 3 – Dança é dança. A dança contemporânea reafirma a especificidade da arte da dança. Dança não é teatro, nem cinema, literatura ou música. Apesar de poder ganhar muito com a cooperação dessas artes. A dança não precisa de mensagem, de história e mesmo de trilha sonora. O corpo em movimento estabelece sua própria dramaturgia, sua musicalidade, suas histórias, num outro tipo de vocabulário e sintaxe.
Fato 4 – O pensamento se faz no corpo e o corpo que dança se faz pensamento. Tal princípio não exime a qualidade técnica, nem o sabor e o prazer de dançar. Ela ressalta a complexidade que precisa ser compreendida.
E para fechar este post não deixem de ler a reportagem O Primeiro Passo de Priscilla Santos feita para a revista Vida Simples. A jornalista fez aulas de dança contemporânea para escrever este artigo, fala sobre sua experiência e o que aprendeu sobre esta dança.