Compartilhando desejos
Assunto do artigo: Dança de Salão. Escrito por Sheila Huertas no dia 15/12/11.
Tags do artigo: Dança a dois, Dança de Salão
Desejo uma dança a dois que respeite e valorize a singularidade de cada pessoa, que esteja mais aberta a criações e que estimule o conhecimento do corpo e suas sensações.
Dois mil e onze foi um ano em que MUITOS questionamentos surgiram para mim a respeito da dança de salão, fortemente incentivados pelo que tenho aprendido na Faculdade Angel Vianna, pelas conversas com meus amigos Roberto Queiroz e Ricardo Queiroz e pelo instigante trabalho desenvolvido pela Mimulus Cia de Dança.
Se você também deseja isso ou quer aproveitar o espaço para compartilhar outros desejos (no que se refere à dança de salão, obviamente!), deixe aqui nos comentários sua opinião!
Gostaria também de sugestões para por em prática esta mudança!
Fonte da imagem: blogsergiofreire.wordpress.com


Então, Sheila, Me toca intensamente saber que alguém se move, efetivamente, na dança. E se mover não apenas para cumprir prescrições, regras, e normatividades gerais; ainda que saibamos que não podemos abrir mão de prescrições, pelo menos em alguma medida. Assim como hoje tenho mais clareza sobre a impossibilidade de nos desfazermos totalmente de preconceitos para pensar o que quer que seja. Isso porque já somos desde o início atravessados por linguagens e acontecimentos dos mais variados em nosso mundo, com os quais, e a partir dos quais, nós nos compreendemos. Uma rede compreensiva de base anterior e prévia a qualquer interpretação, a qualquer hermenêutica, entendimento ou compreensão secundária. Mas, me chamou a atenção do seu texto três palavrinhas cruciais que alteram bastante o modo de se pensar um ser como nós, humano. Singularidade, respeito e valor. Bom, singularidade para um ser como nós, que não é uma cadeira, uma montanha, um cachorro, um avião, é algo que traz o caráter histórico desse modo específico de ser, que é temporalidade. E isso implica termos sempre a todo momento, diferentemente dos demais entes temporais (cadeira, montanha, etc), DECISÃO. Nós decidimos o quê e como somos. Decidimos ser bailarino, dançarina, padre, prostituta, alpinista, pipoqueira, mendigo, presidenta, assassino, atleta, maconheiro. Podemos até ser filhos, e pais, e namorados, e casados. Mas como já disse alguém antes, estamos como que condenados a decidir ser aquilo que somos, sempre, e a cada vez. RESPEITO, então, não parece nada fora dessa abertura total a mudanças em geral. Respeitar um ser humano não parece ser o mesmo que respeitar uma cadeira. Eu posso, grosso modo, respeitar uma cadeira sentando nela, e usando-a adequadamente. Mas ser humano é mais que um objeto temporal de uso. Ele pode mudar sempre. E não muda muitas vezes porque não consegue ir além de VALORES prévios, sedimentados no cotidiano. Valores que nos auxiliam em alguns aspectos, mas que não deveriam nos congelar com relação a todo o restante. E o restante é: VIDA. E vida não depende apenas de estabilidade, mas é constituída também de movimento.
Fiquei muito grato pelo seu convite, sobretudo porque considero você uma pessoa que possui abertura no modo de pensar em geral. E pensar a dança, o corpo necessita de pessoa assim. Poque acredito que corpo é um acontecimento vivo. E enquanto acontecimento vivo traz os acontecimentos totais da vida em sua expressão: amores guerras, sentimentos de abandono e desespero, assim como sentimentos de conforto e solidariedade.
Valeu pelo convite para compartilhar o espaço. Esse gesto já diz dis RESPEITO, pelo seu VALOR, a sua singularidade.
Fui!